• 18 de março de 2026 18:04

Audiência pública da Coder termina com pedido de abertura de CEI e formação de comitê em defesa dos trabalhadores

Foto: Direto MT

A audiência pública realizada na noite desta terça-feira (17), na Câmara Municipal de Rondonópolis, solicitada pelo vereador Vinícius Amoroso, entrou para a história como a maior já promovida pelo Legislativo municipal. Com todas as dependências praticamente lotadas, o encontro reuniu cerca de 850 pessoas ao longo de mais de três horas de debates sobre a crise da Companhia de Desenvolvimento de Rondonópolis (Coder).

Trabalhadores, representantes sindicais, lideranças comunitárias, autoridades políticas e a população em geral participaram do ato, que teve como principal foco discutir os impactos do processo de liquidação da empresa e buscar soluções que garantam a manutenção dos empregos e a continuidade dos serviços prestados à sociedade.

A audiência ocorreu em meio a um cenário de extrema tensão para os cerca de 600 trabalhadores da Coder, que enfrentam há mais de um ano insegurança financeira, com ameaças constantes de demissão. Muitos deles, inclusive, já se encontram em idade próxima da aposentadoria, o que agrava ainda mais a situação social dessas famílias. Atualmente, os servidores acumulam mais de 40 dias sem salário e mais de 70 dias sem o recebimento do vale-alimentação. A Coder está em greve desde a última segunda-feira (16).

Entre os principais encaminhamentos deliberados durante o encontro, destacam-se o pedido de abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI), com o objetivo de investigar a origem da dívida da empresa, e a criação de um comitê permanente para defender os direitos dos trabalhadores e articular ações institucionais contra qualquer tentativa de liquidação.

O presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Rondonópolis (Sispmur), Reuber Teles Medeiros, destacou que o processo de liquidação já foi suspenso pela Justiça devido a inconsistências graves. “A Justiça já entendeu que esse processo foi conduzido de forma atípica, sem diálogo e sem a devida deliberação com os trabalhadores. O município já perdeu vários recursos tentando reverter essa decisão. Isso demonstra que esse modelo não vai prosperar. O sindicato vai lutar até o fim pelo direito à dignidade e pela manutenção dos empregos”.

A presidente da União Rondonopolitana de Associações de Moradores de Bairros (URAMB), Nilza Siqueira, reforçou o apoio do movimento comunitário às famílias afetadas. “O movimento comunitário está ao lado dos pais e mães da Coder. É uma situação desumana. São mais de 40 dias sem salário e mais de 70 dias sem vale-alimentação. Estamos falando de dignidade e de sobrevivência”.

O ex-presidente da Coder, Argemiro Ferreira, afirmou possuir documentos que comprovam a viabilidade financeira da empresa, contestando o discurso de inviabilidade utilizado para justificar a liquidação. “Há documentos que comprovam que o pagamento da dívida é totalmente viável. Sai muito mais barato manter a empresa funcionando e preservar os empregos do que extingui-la.”

Já o suplente de vereador Defensor Valdenir Pereira chamou atenção para a eficiência operacional da Coder, destacando comparativos de mercado. “Há exemplos claros disso. Contratos recentes de reforço asfáltico chegaram a apresentar valores até quatro vezes superiores aos praticados pela Coder. Isso precisa ser analisado com responsabilidade e transparência”.

O advogado Olivar Nunes também se manifestou, adotando uma abordagem jurídica e social sobre o tema. Segundo ele, a liquidação da companhia tende a gerar efeitos amplos e negativos para o município. “Não se trata apenas de encerrar uma empresa, mas de provocar desemprego em massa e ampliar o prejuízo social e econômico para Rondonópolis. Do ponto de vista técnico, os serviços prestados pela Coder são comprovadamente mais vantajosos do que aqueles contratados junto à iniciativa privada”.

A ex-presidente do Sispmur e uma das principais lideranças sindicais de Mato Grosso, Geane Lina Teles, fez um apelo direto aos parlamentares. “É fundamental que os vereadores fiscalizem com lupa os contratos de prestação de serviços que têm o mesmo objeto das atividades executadas pela Coder. A sociedade precisa saber onde e como os recursos públicos estão sendo aplicados”.

Ao final, Reuber Teles reforçou que a abertura da CEI é o caminho mais transparente para esclarecer os fatos e garantir justiça. “A melhor forma de passar essa situação a limpo e, ao mesmo tempo, preservar os 600 empregos, é investigar com rigor a origem dessa dívida, que ultrapassa os R$ 200 milhões. Quem errou deve pagar. Os trabalhadores não podem ser penalizados por uma conta que não fizeram. Eles são vítimas, assim como toda a sociedade”, completou.

Também estiveram presentes o vice-prefeito Altemar Lopes, o ex-prefeito José Carlos do Pátio, o deputado estadual Thiago Silva, os vereadores Manoel e Alikson Reis, os suplentes no exercício do mandato Mauro Campos e Jamal Daud, os vereadores licenciados Júnior Mendonça e Wendell Girotto, a juíza do Trabalho Michelle Trombini Saliba, o procurador do Trabalho Pedro Henrique Godinho Faccioli, Rosenwal Rodrigues, presidente do SINJUSMAT – Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Estado de Mato Grosso, a coordenadora do Observatório Social de Rondonópolis, Tuliane Bessa Machado, o diretor-presidente da Coder Laerte Costa, além dos ex-diretores Darci Lovato e Eduardo Weigert, e os empresários Neles Farias e André Luis dos Santos Custódio.

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