Investigadores da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP apreenderam, na manhã desta quinta-feira (19), um menor de 16 anos, conhecido pelo vulgo “Sem Alma”, apontado como o segundo suspeito na participação na morte do advogado e motorista de aplicativo Paulo de Souza Freitas Júnior, de 46 anos. A apreensão do adolescente ocorreu no Residencial Celina Bezerra, em Rondonópolis-MT.

Os policiais civis da DHPP realizaram a detenção do adolescente em cumprimento a um mandado de prisão expedido pela Vara Especializada da Infância e Juventude de Rondonópolis, dentro da “Operação Fim de Linha”. Os agentes informaram que, ao chegarem ao endereço do infrator, bateram à porta, que foi aberta por sua genitora. O indivíduo, que estava em seu quarto, ao notar a presença da polícia, pulou da janela do segundo andar, empreendendo fuga.
Diante da ação do procurado, a equipe verbalizou a ordem de parada várias vezes, mas não foi obedecida, sendo necessário correr vários quarteirões para conseguir cumprir o mandado. Quando o infrator estava prestes a chegar a uma área de matagal, entrou em luta corporal com os policiais, sendo contido e imobilizado. Ele não portava seu aparelho celular, que foi encontrado minutos depois, após buscas policiais. O telefone havia sido jogado em cima de uma laje.

Ainda conforme os policiais civis, após o êxito na apreensão do infrator, foi realizada uma revista minuciosa em seu quarto para arrecadar elementos de prova. Entre os objetos apreendidos, estava uma camiseta branca com diversas logomarcas, utilizada no cometimento do crime, além de uma calça preta e um chinelo branco que ele usava quando participou da morte do trabalhador. No quarto do adolescente, havia um simulacro de arma de fogo escondido em cima do guarda-roupas.
A DHPP ainda informou que o detido, conhecido como “Sem Alma”, é um integrante de uma organização criminosa e exerce a função de “olheiro” no bairro Celina Bezerra; mais especificamente, vigia e filma a entrada e saída de viaturas policiais e de pessoas estranhas naquele local.
O CRIME:
Paulo foi visto pela última vez em uma quinta-feira, 5 de janeiro, do corrente ano, no bairro Conjunto São José. A família informou à polícia que o último contato com Paulo ocorreu por volta das 20h40, por meio de um aplicativo de mensagem. Após não conseguirem mais contato, os familiares comunicaram o fato à polícia, que confeccionou um Boletim de Ocorrência (BO). Na manhã da sexta-feira (6), o carro da vítima foi localizado abandonado em uma estrada vicinal, nos fundos do Residencial Celina Bezerra.

Dando continuidade às buscas, policiais militares em rondas pelo Residencial Alta Vista Parque encontraram o corpo do trabalhador. O local foi isolado após o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) constatar o óbito.
A Polícia Civil e a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) foram acionadas e coletaram materiais que colaboraram com as investigações. Próximo ao corpo, foi localizado um pedaço de cinto de segurança de veículo, que, segundo o delegado, foi usado para amarrar a vítima. Conforme o delegado, Paulo foi morto com um golpe de “mata-leão”.

A PRIMEIRA PRISÃO:
Na manhã de quarta-feira, 11 de janeiro, os investigadores cumpriram a prisão de um indivíduo de 26 anos. A prisão ocorreu também no Residencial Celina Bezerra.
Assim que houve a abordagem, o suspeito não negou a participação no crime, mas manteve-se em silêncio. Ele foi posteriormente encaminhado à Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), onde foi apresentado ao delegado responsável, que conduziu a oitiva com o detido.

Durante o interrogatório, segundo o delegado João Paulo, o interrogado confessou o crime e afirmou que havia outra pessoa com ele, que ajudou na prática do homicídio. O indivíduo relatou à autoridade policial que o intuito em relação à vítima era a realização de um roubo; entretanto, assim que anunciaram o assalto, o motorista reagiu, e ele e o comparsa aplicaram um golpe conhecido como “mata-leão” em Paulo, desmaiando-o.


