• 7 de março de 2026 11:48

Com 75 assinaturas, oposição tenta emplacar PEC que limita atuação do STF em processos de impeachment

Com 75 assinaturas, oposição tenta emplacar PEC que limita atuação do STF em processos de impeachment 1Nikolas é o autor da proposta - Foto: Reprodução/Câmara

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) protocolou uma Proposta de Emenda à Constituição que pretende redefinir o funcionamento do processo de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal. De acordo com o parlamentar, a PEC já conta com 75 assinaturas.

A proposta cria novos parágrafos no artigo 52 da Constituição, estabelecendo regras mais rígidas para delimitar a atuação do STF e reafirmar o papel exclusivo do Senado na condução desses processos.

O texto determina que “a denúncia por crime de responsabilidade contra Ministros do Supremo Tribunal Federal poderá ser apresentada por qualquer cidadão”, reforçando a legitimidade popular para provocar o início do procedimento .

Principais mudanças previstas na PEC

Segundo o documento apresentado, a PEC altera quatro eixos centrais do rito do impeachment:

. Legitimidade para apresentar denúncias

O texto constitucionalizaria o direito do cidadão de protocolar denúncias contra ministros do STF:

“O que se busca em todos esses institutos é justamente possibilitar que o povo, titular originário do poder, atue na preservação da legalidade e na responsabilização de autoridades que violam seus deveres funcionais.”

A justificativa apresentada pelo gabinete sustenta que esse direito já existiria de forma implícita na legislação e que a recente decisão do STF, ao restringir a legitimidade à Procuradoria-Geral da República, teria promovido “uma verdadeira interferência judicial” em atribuições do Senado.

2. Exclusividade do Senado no julgamento

A PEC estabelece que o Ministério Público não poderá atuar em nenhuma etapa do processo:

“A competência para instaurar, conduzir e julgar o processo por crime de responsabilidade é exclusivamente do Senado Federal, não cabendo à Procuradoria-Geral da República instaurar, conduzir, requisitar, intervir ou substituir qualquer fase do procedimento.”

Segundo o texto, isso impediria que o Ministério Público, órgão cuja chefia é indicada pelo presidente da República se tornasse “filtro obrigatório” para denúncias contra integrantes do Supremo.

3. Recebimento automático da denúncia

Outro ponto de destaque é o mecanismo que determina o recebimento automático de denúncias:

“Haverá recebimento automático da denúncia (…) quando esta for subscrita por pelo menos 3/5 dos membros do Senado Federal, hipótese em que será imediatamente instaurado o processo.”

A justificativa afirma que o dispositivo evita que a decisão de instaurar o processo fique “dependente de obstáculos políticos ou pessoais”.

4. Vedação ao controle judicial

O texto prevê que o Judiciário não poderá interferir direta ou indireta em nenhuma etapa do processo:

“Sendo vedada qualquer forma de controle jurisdicional (…) sobre a legitimidade ativa, o recebimento ou a rejeição da denúncia, a instauração, o processamento, quóruns, efeitos e atos interna corporis.”

A justificativa argumenta que a medida busca “restaurar o equilíbrio entre os Poderes” e impedir que o impeachment se torne “um instrumento inviável” por interpretações judiciais.