• 12 de março de 2026 10:09

Câmara aprova projeto que autoriza uso de spray de pimenta por mulheres para autodefesa

Câmara aprova projeto que autoriza uso de spray de pimenta por mulheres para autodefesa 1Deputada Gisela Simona - Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

A Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (11), um projeto de lei que permite a venda e o uso de spray de pimenta ou de extratos vegetais por mulheres para fins de autodefesa. A proposta agora será analisada pelo Senado.

O texto aprovado é o Projeto de Lei 727/26, apresentado pela deputada Gorete Pereira (MDB-CE). A relatoria ficou com a deputada Gisela Simona (União-MT), que apresentou uma versão substitutiva da proposta.

Pelas regras aprovadas, o equipamento poderá ser adquirido e utilizado por mulheres com mais de 18 anos. Jovens entre 16 e 18 anos também poderão ter acesso ao dispositivo, desde que haja autorização expressa do responsável legal. Além disso, o produto deverá ter registro ou autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

A proposta estabelece que o spray será de uso pessoal e não poderá ser transferido para outra pessoa. O dispositivo também não poderá conter substâncias com efeito letal ou que causem toxicidade permanente, devendo obedecer a critérios técnicos e de segurança que ainda serão definidos em regulamentação do Poder Executivo.

De acordo com o projeto, o uso será considerado legítimo apenas em situações de agressão injusta, atual ou iminente, devendo ser aplicado de maneira proporcional e moderada, apenas até a neutralização da ameaça.

Segundo a relatora, a medida busca ampliar os mecanismos de proteção para mulheres diante de situações de violência. Para Gisela Simona, o dispositivo tem como objetivo incapacitar temporariamente o agressor, permitindo que a vítima consiga escapar e que o suspeito seja posteriormente identificado pelas autoridades. “Não basta reconhecer que a violência é inadmissível. É preciso oferecer instrumentos para que a mulher possa se proteger”, afirma.

Alguns estados brasileiros já adotaram medidas semelhantes. Rio de Janeiro e Rondônia, por exemplo, aprovaram legislações locais que permitem o acesso feminino ao spray — produto que tradicionalmente é restrito às forças de segurança.

Uso indevido

O projeto também define sanções administrativas para casos de uso indevido do spray. Entre as penalidades previstas estão advertência formal quando não houver lesão ou risco concreto à integridade da pessoa atingida, além de multa, que pode variar de um a dez salários mínimos, dependendo da gravidade da conduta.

Em caso de reincidência, o valor da multa será aplicado em dobro. O texto também prevê a apreensão do dispositivo e a proibição de nova compra por até cinco anos.

Caso o uso irregular configure crime ou contravenção penal, a usuária também poderá responder na esfera criminal, além de ser penalizada com sanções civis. A fiscalização da comercialização ficará a cargo do Executivo, enquanto a apuração de infrações administrativas será regulamentada posteriormente.

Durante a discussão da proposta, Gisela Simona defendeu a manutenção da substância OC (Oleoresin Capsicum), principal componente ativo do spray de pimenta. Segundo ela, retirar o composto comprometeria a eficácia do equipamento. “O objetivo é permitir que a vítima tenha tempo de se afastar da situação de risco. Um produto sem eficácia não garantiria essa proteção”, ressalta.

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